“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”(Nelson Mandela)


segunda-feira, 16 de abril de 2012

NOVA ENQUETE - PARTICIPEM

Visitantes do blog estamos com uma nova enquete a cerca da inclusão das políticas públicas para mulheres e promoção racial nas leis orgânicas municipais. Participe, vote..... Juntos podemos mudar muita coisa
(Grupo 03 do GPPGR - Polo Afonso Cláudio)

Postado por Andrezza Reis e Vandeti Krause

Reflexão da semana

"Pior que não promover a igualdade, é se fazer indiferente as desigualdades. Se calarmos diante das desigualdades e da violência que ela gera estaremos agindo da mesma forma que agem aqueles que promovem esse tipo de violência"
(José Renato Coan)

ENTRE NÓS ESTÁ E NÃO O CONHECEMOS - UM GRITO CONTRA AS DESIGUALDADES

Letra de uma música da Igreja Católica escrita pelo Padre André Luna e que fala de discriminação, racismo, desigualdades e indiferenças

Seu nome é Jesus Cristo

Pe. André Luna

Seu nome é Jesus Cristo e passa fome
E grita pela boca dos famintos
E a gente quando vê passa adiante
Às vezes pra chegar depressa a igreja
Seu nome é Jesus Cristo e está sem casa
E dorme pelas beiras das calçadas
E a gente quando vê aperta o passo
E diz que ele dormiu embreagado

Entre nós está e não O conhecemos
Entre nós está e nós O desprezamos (2x)

Seu nome é Jesus Cristo e é analfabeto
E vive mendigando um subemprego
E a gente quando vê, diz: é um à toa
Melhor que trabalhasse e não pedisse
Seu nome é Jesus Cristo e está banido
Das rodas sociais e das igrejas
Porque d'Ele fizeram um Rei potente
Enquanto Ele vive como um pobre

Entre nós está e não O conhecemos
Entre nós está e nós O desprezamos (2x)

Seu nome é Jesus Cristo e está doente
E vive atrás das grades da cadeia
E nós tão raramente vamos vê-lo
Sabemos que ele é um marginal
Seu nome é Jesus Cristo e anda sedento
Por um mundo de Amor e de Justiça
Mas logo que contesta pela Paz
A ordem o obriga a ser de guerra

Entre nós está e não O conhecemos
Entre nós está e nós O desprezamos (2x)

Seu nome é Jesus Cristo e é defamado
E vive nos imundos meretrícios
Mas muitos o expulsam da cidade
Com medo de estender a mão a ele
Seu nome é Jesus Cristo e é todo homem
E vive neste mundo ou quer viver
Pois pra Ele não existem mais fronteiras
Só quer fazer de todos nós irmãos

Entre nós está e não O conhecemos
Entre nós está e nós O desprezamos (2x)

Extraído do site: http://letras.terra.com.br/pe-andre-luna/1463153/

Postado por Stephanie Maier, Anair Rocha e Raulinda Kepp Ponath

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Saúde Pública e a Campanha da Fraternidade 2012




Tradicionalmente a Igreja Católica aproveita o período de 40 dias, que via entre a quarta-feira de cinzas até o domingo de ramos para lançar a Campanha da Fraternidade que sempre vem com alguma questão de interesse social. Esse ano de 2012 a abordagem é sobre a questão da saúde pública e de como ela repercute na vida de todos. E assim também nós do Grupo 03 do GPPGR do Pólo de Afonso Cláudio trazemos a discussão para os demais colegas. Não basta refletir sobre a saúde, temos que entender que saúde não é apenas ausência de doença, mas um estado de completo bem estar inclusive o emocional. Quando falamos de SAÚDE PÚBLICA focamos no direito fundamental assegurado a todos os brasileiros através da Constituição Federal. No entanto, aquele que é discriminado, que não tem acesso as condições mínimas de vida, que é tratado de forma diferenciada, tem a sua saúde afetada, não apenas a emocional como também a saúde física, já que uma está intimamente ligada à outra. Atuar para que as desigualdades sejam eliminadas ou pelo menos minimizadas na verdade é entrar na luta para que as pessoas também tenham mais saúde, porque se todos são tratados igualitariamente, todos terão acesso aos serviços que lhe garantam uma saúde de qualidade e um tratamento humanizado. Quantas notícias de pessoas que agonizam, morrem em corredores de hospitais sem qualquer tipo de atendimento ou então de pessoas que tiveram a sua saúde deteriorada por viverem em péssimas condições, sem moradia, sem higiene, sem comida e sem aquilo que lhes assegura um pouco de dignidade e de reconhecimento como ser humano que merece e precisa ser tratado com igualdade. A discriminação atinge as camadas mais carentes da população e em via de conseqüência é nelas que a saúde é mais frágil e deteriorada. Muito mais importante que refletir sobre a saúde pública é agir com ações consistentes e concretas para que seja realmente estendido a todos brasileiros e brasileiras. Não faltam exemplos pelo Brasil afora: Zilda Arns, Betinho, Chico Mendes, Irmã Margarida são exemplos de pessoas que lutando pelo fim da discriminação e da desigualdade fizeram com que as pessoas tivessem mais saúde e mais qualidades de vida. No município de Laranja da Terra a campanha da Fraternidade também está em pleno desenvolvimento, segundo o Sr. Luciano Schultz, coordenador da comunidade católica da Sede do Município, a igreja já está envolvida nas ações propostas pela campanha, sendo que a primeira delas ocorreu no Hospital Municipal US3 São João Batista, onde os membros da comunidade celebraram uma missa, buscando ali a sensibilização dos profissionais da saúde para a campanha, procurando despertar nos mesmos a espiritualidade no trabalho do dia-a-dia visando atitudes mais humanas e menos mecânicas. A comunidade também tem intenção de realizar uma ação em parceiria com os profissionais da saúde do Município. Durante entrevista realizada no Programa matinal de sábado, 31/01/2012, pela Rádio Comunitária local, o Padre da Paróquia São Francisco de Assis, Sr. Malvino Xavier da Silva, expôs os principais objetivos da campanha da fraternidade, dentre eles citamos: difundir dados sobre a realidade da saúde no Brasil, seus desafios, bem como suas estreitas relações com os aspectos sócio-culturais da nossa realidade; despertar nas comunidades a discussão sobre a saúde pública, visando à reivindicação do justo financiamento do SUS; qualificar a comunidade para acompanhar as ações da gestão pública e exigir a aplicação dos recursos públicos com transparência, em especial, na área da saúde. O Padre relatou também que está previsto para o mês de outubro a realização de um trabalho em parceria com os profissionais da saúde do Município, onde seria proporcionada à comunidade laranjense pequenas ações preventivas, tais como: realização de pequenos exames, medição de pressão, entre outros, uma espécie de mutirão da Saúde, sendo essa uma maneira de concretizar as ações objetivadas na campanha . Que deixando de lado as convicções religiosas, as denominações, os credos particulares de cada um abracemos a causa da campanha da fraternidade como um tudo, reconhecendo que a saúde não é um direito de católicos, luteranos, adventistas, negros, brancos, índios, pobres ou ricos, mas que ela é um direito de todos, porque todos somos filhos do criador, de um mesmo Deus e por ele fomos feitos para termos vida, e vida em abundância.

 
Fonte: Entrevista com o Sr°. Luciano Schultz(Coordenador da Comunidade São João Batista) e Programa Espaço Aberto transmitido pela Rádio Líder FM de Laranja da Terra/ES com  a entrevista do Padre Malvino Xavier da Silva em 31/03/2012.

Postado por: Anair Gomes Rocha/Vandeti Krauser/ Andreza da Penha dos Reis/Stephanie Maier Ahnert, José Renato Coan/Raulinda Keppe Ponath, Maria de Lourdes da Cunha Silva.

População Negra, Racismo e Sofrimento Psíquico

Extraído de: http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/saude/220-artigos-de-saude/12075-populacao-negra-racismo-e-sofrimento-psiquico/ Acesso em :02/04/2012
O Brasil é um país pluri-étnico que tem em torno de 52% de sua população constituída de negros (pretos e pardos), sendo o segundo país no mundo em população negra, seguido da Nigéria, país africano. Desde o governo Fernando Henrique Cardoso, o Estado reconheceu que existe racismo no Brasil, mas a "herança do período escravocrata existente no imaginário brasileiro faz com que o racismo e a discriminação racial estejam profundamente enraizados na cultura e nas dinâmicas socais do nosso país" (Quintiliano e Lopes, 2007, p.1). Estatísticas oficiais evidenciam que o racismo é um dos determinantes das condições de saúde, o que resulta em altas taxas de morbidade e mortalidade da população negra e na existência de desigualdades e iniqüidades que impedem o acesso a direitos à metade da população brasileira.
No imaginário de nossa "democracia racial" ser negro é, por exemplo, ser feio, sujo, ter pouca inteligência. As positividades negras são, em geral, pensadas/sentidas em termos idealizados e/ou folclorizados, relacionado-as, ao samba, ao futebol, à destreza sexual, à resistência para o esforço no trabalho, ou resistência à dor. Ainda hoje, a literatura chama de banzo, numa forma romântico-folclorizada, o que sabemos ter sido depressão, conseqüência do sofrimento psíquico de pessoas negras durante o período escravocrata.
Na prática o produto final desse imaginário promove o travamento de portas em bancos, o acompanhamento - com o olhar e com a presença acintosa - a pessoas negras em shoppings e supermercados, promove a procura e o encontro de balas perdidas em corpos de sujeitos psíquicos que têm, em sua grande maioria, uma determinada cor. Sabemos também que a repercussão dessas vivências leva ao trabalho de baixa remuneração, desigualdades em educação e iniquidades em saúde, só para citar algumas formas de não garantia de direitos humanos.
A clínica de pacientes negros tem mostrado que as repercussões psíquicas dessas vivências, em um meio ambiente nada bom o suficiente, são humilhação social, baixa estima, timidez excessiva, irritabilidade, ansiedade intensa, estados fóbicos, hipertensão, depressão, obesidade, agressividade intra ou intersubjetiva, uso de álcool ou outras drogas, entre outros.
Neste dia 20 de novembro, dia em que se propõe uma reflexão à consciência, de negros e brancos, sobre as questões raciais brasileiras, por intermédio da figura de um representante da resiliência negra no Brasil, Zumbi dos Palmares, é importante que a psicanálise e nós, psicanalistas, possamos refletir em nossas interioridades, em nossos corações, sobre o tema "racismo e sofrimento psíquico" lembrando que a história da população negra no Brasil, assim como de sua subjetividade, é construída a partir de um processo político, econômico e ideológico que promove vulnerabilidades e iniqüidades no acesso aos direitos humanos.
O Premio Nobel da Paz de 1986, Elie Wiesel, sobrevivente de campos de concentração nazistas, numa entrevista concedida a revista Veja, em 2009, lembra-nos que o holocausto não pode ser negado "porque dói. Dói nos sobreviventes, nos seus filhos e nos filhos de seus filhos. Quem nega o holocausto pela dor que inflige aos sobreviventes e seus descendentes, comete mais do que apenas pecado (alienação). É uma crueldade". Como muito bem aprendemos com a população judaica, é preciso "não esquecer para não repetir jamais".
Minha contribuição busca propor que as pessoas presentes neste Encontro da Federação Brasileira de Psicanálise – Febrapsi possam acolher em suas interioridades, para posterior reflexão, a ideia de que o racismo é estruturante de nossas relações sociais e que as subjetividades que somos todos e, todos nós psicanalistas e profissionais de saúde mental, são construídas no interior destas relações. A ideia do quanto esse elemento fala, ou não, em nós, quando somos agentes de saúde, na escuta psicanalítica ou no trabalho em saúde mental. Meu desejo com esta contribuição é também buscar, além do direito à saúde, uma consciência mais ampla das relações sociais e de direitos humanos entre os brasileiros. Neste sentido, associo-me ao desejo expresso na fala de Sueli Carneiro, quando ela diz que "A utopia que hoje perseguimos consiste em buscar um atalho entre uma negritude redutora da dimensão humana e a universalidade ocidental hegemônica, que anula a diversidade. Ser negro sem somente ser negro, ser mulher sem ser somente mulher, ser mulher negra sem ser somente mulher negra. Alcançar a igualdade de direitos é converter-se em um ser humano pleno e cheio de possibilidades e oportunidades para além de sua condição de raça e gênero. Esse é o sentido final dessa luta" (Carneiro, 2003, p.57).
Referência Bibliográfica
CARNEIRO, S. - Enegrecer o Feminino: A Situação da Mulher Negra na América Latina a partir de uma Perspectiva de Gênero – in- ASHOKA Empreendedores Sociais e Takano Engenharia (org.) – Racismos Contemporâneos. Takano, Rio de Janeiro, 2003.
QUINTILIANO, L., LOPES, F. – Combate ao Racismo Institucional, DIFID – Ministério do Governo Britânico para o Desenvolvimento Internacional, Brasília, 2007.
(*) - Doutor em psicologia clínica (PUC-Rio), psicólogo, psicanalista, integrante do Grupo Psicossomática Psicanalítica Oriaperê (RJ), integrante da Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde (núcleo RJ).
por Marco Antonio Chagas Guimarães
Fonte: SBPRJ


Extraído de: http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/saude/220-artigos-de-saude/12075-populacao-negra-racismo-e-sofrimento-psiquico, acesso em: 01/04/2012.

Postado por: Andreza da Penha dos Reis, Vandeti Krauser, Stephanie Maier Ahnert, Anair Gomes Rocha, José Renato Coan, Raulinda Keppe Ponath, Maria de Lourdes da Cunha Silva.

O racismo é fator determinante para o adoecimento das mulheres negras

 

por Vera Daisy Barcellos
Buscar garantir o direito à saúde para as mulheres negras requer, antes de tudo, romper com os preconceitos e discriminações que, de tão naturalizadas, se tornaram invísíveis nas práticas das instituições e dos profissionais de saúde". A manifestação é da assistente social Lúcia Xavier, coordenadora da Criola, do Rio de Janeiro, e consultora do Fundo de Apoio à População das Nações Unidas – Unfpa, na abertura do Seminário Nacional sobre a Saúde Integral das Mulheres com foco na saúde das mulheres negras, direitos sexuais e reprodutivos que desde ontem se realiza em Porto Alegre. O evento, que integra a programação do XI Encontro Nacional da Rede Feminista, conta com a presença de mais de 100 lideranças feministas e do movimento de mulheres de todo o país. O Encontro segue até amanhã, 1/10, quando as filiadas da Rede Feminista elegem, em Assembléia Geral, o novo Conselho Diretor e a Secretaria Executiva para o período 2012-2014.
Na continuidade de sua palestra, Lúcia destacou que alguns estudos demonstram que as desigualdades, no país, diminuem lentamente em alguns campos, mas persistem principalmente, quando se trata de políticas de saúde, "e isto é visível na manutenção de altos índices de morbimortalidade da população negra, especialmente das mulheres negras".
A morte das mulheres negras - Com base em pesquisa publicada pelo Ministério da Saúde em 2007, ela revela que as doenças cerebrovasculares - como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) - seguidas pelos homicídios, foram os principais responsáveis pela morte de mulheres pretas e pardas com idade fértil de 10 a49 anos. O risco para o grupo chega a ser duas vezes maior do que para mulheres brancas em casos das doenças cerebrovasculares e até três vezes maior em casos de homicídios. Já as mortes provocadas pelo vírus HIV ocupam o segundo lugar no ranking de óbitos entre mulheres pretas e pardas com idade entre 10 e 49 anos. O risco, de acordo com a palestrante, chega a ser 2,6 vezes maior do que entre mulheres brancas.
Um quadro que segundo Lúcia Xavier "exige, com devida urgência,apontar mecanismos de ruptura com os altos índices de morbi-mortalidade desta população". Para ela, "o enfretamento do racismo se dá com políticas públicas de ações afirmativas, de reparação e de melhorias da qualidade de vida da população, não esquecendo da valorização da contribuição negra e do papel das mulheres negras".
Entre os desafios que se apresentam, Lúcia Xavier enfatizou que para superar o racismo não basta dizer não ou reconhecer os seus efeitos, "é preciso enfrentá-lo como a responsabilidade de cada um". E desta forma, enfatizou, é necessário que se implante políticas que considerem as necessidades específicas das mulheres negras, levando em conta que é preciso a produção de indicadores de monitoramento, bem como a elaboração de mecanismos de superação do racismo, do sexismo e da lesbofobia no interior das políticas públicas".
Socióloga destaca a importância da Rede no cenário nacional para a organização do movimento feminista brasileiro
A socióloga feminista Maria Betânia Ávila, do SOS CORPO, Gênero e Cidadania e a médica especialista em saúde da mulher Maria José de Oliveira Araújo, duas das fundadoras da Rede Feminista de Saúde, destacaram na abertura do XI Encontro Nacional, em realização em Porto Alegre/RS, o papel significativo, histórico da Entidade na organização do movimento feminista brasileiro. "O momento em que a Rede foi criada, 1991, o país vivenciava os impactos do neoliberalismo com forte redução de investimentos na área da saúde da mulher, sob a perspectiva da integralidade, do respeito aos direitos sexuais e reprodutivos", lembrou Betânia Ávila em rápida retrospectiva sobre o processo de criação da Rede Feminista de Saúde.
Para a socióloga e coordenadora do SOS Corpo, Gênero e Cidadania, de Pernambuco,"a criação da Rede, naquele momento foi estratégica e fundamental para a organicidade e mobilização do movimento de mulheres e feminista no país. E nesta caminhada de duas décadas, efetivamente a Rede alcançou reconhecimento nacional e internacional ". Betânia Ávila reconhece que há ainda muitos desafios a ser superados "passando pela concretização efetiva de políticas públicas que ofereçam acesso a serviços de saúde de qualidade para todas as mulheres, propostas para a legalização do aborto, entre tantas outras demandas que contemplem a cidadania plena das mulheres".
Em Porto Alegre, Unfpa mostra preocupação com os altos índices de mortalidade materna
Em Porto Alegre, o representante do Fundo de Apoio a População das Nações Unidas - Unfpa, Harold Robinson, afirmou que apesar dos investimentos e avanços registrados mundialmente, a morte materna segue sendo um dos maiores desafios para o alcance dos objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Ele foi um dos palestrantes convidados do Seminário do XI Encontro Nacional da Rede Feminista de Saúde focado na saúde integral das mulheres. De acordo com ele, cerca de 536 mil mulheres morrem, por ano, no mundo devido às complicações relacionadas à gestação, parto ou pós parto, ou seja, mais de 1.400 mortes a cada dia. O representante do Unfpa destacou, ainda, que além das mortes, os danos causados por cuidados inadequados prestados durante a gravidez, parto ou pós-parto atingem cerca de 16 a 50 milhões de mulheres anualmente. Para Robinson, "estes números são inaceitáveis" e afirmou ser necessário "um esforço coletivo para enfrentar as questões pendentes e concretizar os princípios estabelecidos pelo Programa Cairo para que cada mulher possa decidir quando quer ser mãe e o número de filhos que deseja ter".
Rede mantém sua crítica às políticas do Governo
Na abertura do seminário do XI Encontro Nacional da Rede Feminista de Saúde, a secretária executiva Telia Negrão afirmou que apesar das prioridades do governo federal em relação a graves problemas, como a atenção à saúde materna, ao câncer de mama e colo de útero, e a algumas medidas em relação à violência contra asmulheres, estas ações não têm sido suficientes para "abarcar uma agenda que implica na implementação de políticas de atenção integral, que vem tendo, algumas vezes, por parte do governo uma visão enviesada". Ela enfatiza que a Rede não é contra o Programa Rede Cegonha, mas, sim, ao lugar estratégico de substituto da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres".
Telia disse, ainda, que, ao longos desses 20 anos, a Rede Feminista tem se mostrado atenta na elaboração crítica, no controle social e no monitoramento das políticas públicas, "mas reconhecemos que os canais estão obstruídos para a ação cidadã sobre estas políticas no atual momento do Brasil". E sobre esta situação, a secretária executiva demandou às participantes do seminário "a necessidade de refletir e aprofundar sobre quais as estratégias devem ser definidas para enfrentar este embate".
Telia Negrão aproveitou o momento para fazer referências ao manifesto divulgado pela Campanha 28 de Setembro - Dia de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto - que acenou uma avaliação de esperança, considerando mais os avanços do que os riscos para as conquistas obtidas pelo movimento de mulheres e feministas. E nesse sentido, lembrou que pela primeira vez o Comitê das Nações Unidas para a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação à Mulher – Cedaw, se pronunciou firmente sobre o Caso Alyne, uma brasileira, negra, vítima da omissão do sistema público de saúde. Um outro aspecto positivo também considerado pela Campanha 28 de Setembro é que em vários países da América Latina e Caribe a "mortalidade materna de mulheres por aborto inseguro vem sofrendo algumas reduções em razão do uso do misoprostol por conta e risco das mulheres, porque conseguiram acessar informação sobre o medicamento, embora ainda obtido de forma clandestina".
Sobre a pauta do Seminário que foca a saúde das mulheres negras, contida num documento nacional e prevista como uma política transversal, a secretária executiva da Rede Feminista de Saúde salientou que esta é uma agenda "que deve ser vista como prioridade, tornada vísivel e implementada". O racismo, afirmou Telia, é uma dimensão ainda não compreendida pelos políticos e pelas políticas públicas e por quem as deve implementar e executar. "É uma dívida que nos envergonha", ponderou.

Vera Daisy Barcellos - Jorn.Reg.Prof. 3.804

Fonte disponível em: http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/saude/220-artigos-de-saude/11230-o-racismo-e-fator-determinante-para-o-adoecimento-das-mulheres-negras, acesso em 01/04/2012.

Postado por: Andreza da Penha dos Reis, Vandeti Krauser, Stephanie Maier Ahnert, Anair Gomes Rocha, José Renato Coan, Raulinda Keppe Ponath, Maria de Lourdes da Cunha Silva.
Entrevista da jornalista brasileira Carla Rodríguez com  a filósofa espanhola Alicia Puleo .
Publicado em 13 de março de 2003/Acesso em 02/04/2012.

Se hoje é considerado natural que as mulheres estudem, trabalhem e sejam donas das suas próprias vidas, princípios que estão presentes mesmo em famílias conservadoras, é por que o feminismo produziu, ao longo dos últimos 40 anos, uma revolução silenciosa e pacífica, capaz de mudar o padrão de comportamento de homens e mulheres nas sociedades ocidentais. Conceder este mérito ao feminismo é a única maneira de garantir que novas conquistas sejam realizadas. É com este o argumento que a filósofa espanhola Alicia Puleo defendeu, na sua passagem pelo Brasil, na semana passada, a valorização do feminismo como forma de melhorar a sociedade como um todo, e não apenas como instrumento de fazer justiça às mulheres. Alicia participou de um ciclo de conferências promovido pela Cordenadoria Especial da Mulher da Prefeitura de São Paulo, onde defendeu a aproximação entre ecologistas e feministas. Nesta entrevista, ela mostra por que as teorias que explicam as diferenças entre homens e mulheres apenas através da biologia são conservadoras e avisa: “Ouvir a voz das mulheres é importante para melhorar toda a sociedade”.


Por que as teorias naturalistas são contra a emancipação das mulheres?
Tradicionalmente, em nome da natureza, se tem justificado a divisão sexual do trabalho que prendia as mulheres nas tarefas de reprodução da espécie e com os cuidados do lar, e dava aos homens amplas possibilidades de ação no trabalho assalariado e na criação cultural. Mesmo que pareça mentira, ainda hoje se procuram legitimações biológicas de muitas diferenças sociais de gênero.

Como assim?
Quando as pesquisas encontram indícios de alguma diferença de aptidão ou de comportamento produzidas, por exemplo, pelos hormônios, são rapidamente comunicados à imprensa. Mas quando não aparecem diferenças e a hipótese naturalista de partida não é comprovada, então não se diz nada, dando a impressão de que predominam os estudos que conseguem provar estas diferenças. Na realidade, é ao contrário. Acredito que não devemos esquecer que tanto homens como mulheres são corpos, são natureza. Com isso quero dizer que não devemos temer as pesquisas, apenas as pesquisas parciais. Este é geralmente o problema das teorias de corte naturalista: esquecer o aspecto cultural, construído, que modela a base biológica. Ao deixar de lado este aspecto, o que é produto das relações de poder históricas se converte em traço natural e destino biológico. Desta forma, a teoria naturalista funciona como um discurso ideológico de legitimação do sistema sexo-gênero.



A sra. acredita que os avanços do feminismo dependem da valorização do passado do movimento?
Com o feminismo acontece algo muito curioso: não se reconhece seus méritos. Nos últimos 40 anos, mudamos a organização dos sexos nas sociedades ocidentais com uma revolução pacífica e silenciosa. Mas todas estas mudanças nas relações entre os sexos foram apenas parte da evolução da própria sociedade, sem que tenha havido necessidade de nenhuma reivindicação. O que propunha Betty Friedman na metade dos anos sessenta – que as mulheres poderiam compatibilizar uma vida familiar com uma atividade no mundo do trabalho assalariado, com a cultura e com a política – hoje em dia é assumido como normal inclusive nas famílias mais conservadoras, que fazem suas filhas estudarem pensando que, além de casar, exercerão uma profissão. O que era escandaloso já parece normal.



Isso quer dizer que o feminismo perdeu sua razão de existir?
Mas não conseguimos tudo. Esquecer que foi o feminismo que conseguiu todas estas mudanças faz parte de uma negação da necessidade de mudar outros aspectos que estão pendentes. Por isso é importante conhecer a história do movimento. Quem não conhece sua história, adquire consciência com maior dificuldade. Uma vez, uma professora de uma universidade me disse: “Não devo nada ao feminismo”. Contestei: “Sua primeira dívida é ter estudado e poder trabalhar aqui. Antes, isso não era permitido.” As mulheres que negam e renegam o feminismo estão negando sua própria história, sua própria identidade e nosso futuro em comum.



Por que hoje os problemas das mulheres são também problemas sociais?
Os problemas das mulheres são de várias ordens: de acesso aos recursos, que em cifras globais mundiais se dá de forma absolutamente inferior aos homens, de reconhecimento, por que a cultura ainda tem um traço masculino muito profundo, de violência de gênero, porque o número de mulheres vítimas de violência e assassinadas é enorme em todo o mundo, ainda que seja pior em países com problemas econômicos, de representação política. Todos estes problemas estão ligados uns aos outros por laços e por causas bidirecionais. Em uma palavra, se retro-alimentam. Quanto maior dificuldade de alcançar um salário digno, mais as mulheres terão que suportar a violência de gênero e menos poderão ter tempo de corrigir e transformar a cultura. Por sua vez, se a cultura seguir repetindo os mesmos tópicos patriarcais, mais dificuldade teremos para fazer com que diminua a violência de gênero, para aumentar nosso reconhecimento social, para alcançar postos de decisão política e conseguir trabalho com salários dignos. A situação das mulheres, que são a metade da humanidade, é uma questão de justiça social que se justifica por si só. Se a isso acrescentarmos que a inclusão da voz das mulheres pode melhorar a sociedade em seu conjunto, teremos uma razão a mais para apoiar velhos e novos pontos de nossa agenda.



Extraída do sítio www.fyl.uva.es/~wceg/Ouçam%20a%20voz%20das%20mulheres.doc, acesso em 01/04/2012.
Postado por: Anair Gomes Rocha, Vandeti Krauser, Andreza da Penha dos Reis, Stephanie Maier Ahnert, José Renato Coan