“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”(Nelson Mandela)


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A Mulher e o Serviço Público


Segundo pesquisa de opinião pública nacional feita pelo instituto de pesquisa Vox Populi, a atuação das mulheres em cargos públicos foi considerada muito mais positiva do que a dos homens.

O levantamento mostra que elas são consideradas, pela população e até mesmo pelos próprios homens, mais confiáveis, honestas, competentes, firmes, capazes e mais responsáveis.

Apesar de ser assegurado através da Lei nº9.504/97 sobre as normas para eleições, que cada partido ou coligação deverá reservar o mínimo de trinta por cento e o máximo de setenta por cento para candidaturas de cada sexo, o número de mulheres ainda é muito inferior aos homens, mesmo com pesquisas do IBGE indicando que 55% dos votos nas eleições correspondem à mulheres no território nacional.

Já na esfera administrativa a constatação é a mesma, já que nas secretarias de governo
entre treze secretários existe apenas uma representante feminina na Secretaria de Estado de Trabalho, Assistência Social e Economia Solidária, dentro outras, ocupando a pasta.

Isso mostra que as mulheres precisam de maior oportunidade para demonstrar sua competência profissional. Mas, mesmo ainda não tendo chegado com força nos cargos mais elevados da gestão pública, demonstram em outros setores o seu trabalho com eficiência e vem conquistando gradativamente seu lugar na administração em busca do acesso a todos os níveis do poder, provando que é possível mudar, combatendo a exclusão feminina com eficiência, competência e dedicação.

De acordo com pesquisa realizada no ano 2000 pela Referencial Pesquisas sobre a mulher e o trabalho, a grande maioria das trabalhadoras é de opinião de que todas as atividades profissionais podem ser desempenhadas igualmente tanto por homens como por mulheres. Elas acreditam que é possível haver igualdade entre os gêneros no exercício das diversas atividades e poucos são os casos considerados exclusivamente femininos ou masculinos, ainda assim por um percentual mínimo de mulheres, totalmente inferior ao número das que consideram todas as atividades adequadas a ambos os sexos. Ainda de acordo com a pesquisa, não é consenso entre Estados Brasileiros, que as dificuldades encontradas na área profissional sejam um problema de gênero. A maior parte acredita que tanto homens quanto mulheres se deparam com as mesmas dificuldades. Mas, estabelecer a igualdade de tratamento entre os servidores e combater a discriminação na Administração Pública não é tarefa simples, pois exige mudança cultural, além de ações de caráter institucional, ações essas que têm o desafio de construir modelos de gestão que promovam a igualdade de acesso, tratamento e promoção no trabalho e aos postos de comando no serviço público. Nesse sentido é importante que sejam intensificados os programas de profissionalização e capacitação visando a promoção da igualdade entre homens e mulheres na função pública.

No setor privado, uma arma que vem sendo utilizada pelas mulheres para lutar contra a discriminação e a diferença salarial é a qualificação. Apesar de na média elas terem mais anos de estudo que os homens e ainda assim continuarem ganhando menos que eles de acordo com pesquisas do IBGE, elas buscam um processo de modificação desse contexto usando como trunfo o aprimoramento nos estudos e cursos como pós-graduação - especializações, mestrados e doutorados - que se tornaram indispensáveis para a profissional que busca uma posição de destaque conquistar definitivamente um espaço justo nessa realidade cada vez mais competitiva.

No setor público também estão sendo realizadas importantes ações nesse sentido. Um exemplo disso é a criação de seis cursos de capacitação gerencial exclusivos para mulheres na Escola Nacional de Administração Pública -ENAP e Escola Superior de Administração Fazendária -ESAF, com um programa preparado para capacitar servidoras no intuito de superar os obstáculos à ascensão profissional feminina nas relações de trabalho, principalmente no preenchimento de cargos de direção.

Outro exemplo importante no combate à discriminação contra a mulher na administração pública, é a determinação do Governo Federal em 2002, para que todos os órgãos e entidades da administração em nível Federal elaborem planos bienais com metas e ações no sentido de promover igualdade de oportunidades entre os sexos.

A moralização e a transparência da gestão pública se tornou uma exigência da população e nesse contexto a participação da mulher vem se destacando. Ela tem contribuído efetivamente com seu trabalho nas mais diversas funções e cargos a fim de maximizar e clarear as ações do executivo. É nesse momento, onde se instala essa nova estrutura de gestão objetivando a eficiência e produtividade da máquina administrativa, que a profissional formada em áreas onde até tão pouco tempo os homens dominavam totalmente, desempenha papel fundamental nessa reestruturação visando tornar o sistema mais eficiente com a implantação de um modelo gerencial na administração governamental. Assim, ela vem ocupando cargos em todos os setores produtivos e de gestão, auxiliando de forma efetiva no desenvolvimento estadual e nacional e participando do processo de planejamento e execução de governo democrático, apesar do serviço público estar realmente caminhando para eliminar a desigualdade de gênero, é relevante e nunca demais, adotar ações que garantam na legislação, a inexistência de qualquer forma de discriminação, seja na promoção profissional ou na ocupação de postos de comando. Daí a grande relevância dessas iniciativas, já que o governo através de seus órgãos públicos tem o poder de incluir e valorizar o trabalho feminino dando oportunidades para sua participação elevando sua auto-estima e dando chance para que desta forma possa exercer sua cidadania contribuindo para a retomada do desenvolvimento do estado e país.

É fundamental que haja uma partipação justa de ambos os sexos na administração e em todas as esferas do poder para que não só os homens tenham a oportunidade de administrar, formular conceitos e até mesmo leis, que são feitas sob a ótica daqueles que as elaboram, já que as mulheres hoje fazem parte efetivamente do mercado de trabalho. Diante da fácil constatação de que a profissional ainda precisa provar sua eficiência mais que os homens, é relevante que esta questão seja ampla e incansavelmente discutida sob o enfoque do gênero para que a sociedade caminhe mais rapidamente rumo a reorganização atendendo sua atual dinâmica.

A importância da presença feminina nos mais altos cargos de decisão do poder público é clara, porque não sendo assim, estará sendo subaproveitada a contribuição de cerca de metade da população de uma sociedade, as suas capacidades e dons. E a democracia pressupõe uma maior participação de todos os cidadãos e cidadãs. E um país não pode ser considerado totalmente democrático com a exclusão do potencial de uma grande parte dos elementos que a constituem. E quando o sexo feminino reivindica maior participação é porque entende que o mundo precisa ser repensado sob uma outra ótica, em que haja o respeito pela dignidade e pela diversidade e não a dominação. Assim, fazendo da luta por igualdade entre os gêneros um espaço privilegiado para construção de relações sociais mais justas. E nesse momento em que PORTO SEGURO anseia pela paz, é importante a valorização das idéias e ações concretas das profissionais que com seu trabalho, competência e dedicação, quase sempre no anonimato, agem efetivamente no cotidiano do combate contra a discriminação e melhorias, que em pontos extremos pode chegar à violência. Dessa forma, essas trabalhadoras estão dando sua contribuição contra a exclusão feminina e provando que é possível melhorar o papel social da mulher, determinando seu envolvimento com o mercado de trabalho, do qual a gestão pública é uma importante parcela.
Fonte: RIZO, Sandra. Disponível em: http://wwwsandrarizo.blogspot.com/2009/09/mulher-e-o-servico-publico.html, acesso em 05/10/2011.

Participação da Mulher nos Índices de Pobreza e a Violência Contra Elas

Imagem extraída de: http://www.youtube.com/user/alescomunicacao?blend=11&ob=5#p/u/138/vwuTaWz7Rr8 acesso em 11/09/2011.
A participação das mulheres nos índices de pobreza e a violência contra elas foram temas de Audiência Pública realizada na Assembleia Legislativa do Espírito Santo.
         

LARANJA DA TERRA E A MARCHA DAS MARGARIDAS

O Município de Laranja da Terra esteve presente em um dos movimentos de mulheres mais conhecidos a nível nacional e que acontece a cada três anos em Brasília: A Marcha das Margaridas. O movimento surgiu com o objetivo de mobilizar as mulheres em busca de seus direitos e através dele várias conquistas já foram alcançadas. Uma delegação de 14 pessoas do município de Laranja da Terra esteve presente no evento num total de 40 pessoas  que foram através do movimento do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Afonso Cláudio, Brejetuba e Laranja da Terra e com apoio e patrocínio de Prefeituras. Entre os 14 representantes de Laranja da Terra, onze eram mulheres o que demonstra de forma clara a participação feminina e a crescente conquista de espaços nos meios que antes eram dominados pelos homens com a mulher tendo papel de destaque na sociedade. Este ano o tema da MARCHA DAS MARGARIDAS foi: 2011 razões para marchar por: Desenvolvimento Sustentável com Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade e a frase que marcou o evento atribuída a Margarida Alves em seu último discurso antes de ser assassinada em 1983 demonstra bem o objetivo do movimento: “Prefiro morrer lutando a morrer de fome”. O movimento denominado de Marcha das Margaridas tem exatamente esse nome em homenagem a Ex-Líder Sindical que foi assassinada quando lutava pelos seus direitos na cidade de Alagoa Grande em Paraíba. A Marcha já é um movimento de destaque no cenário nacional e este ano contou com a presença da Primeira Presidente do Brasil, Dilma, que em discurso afirmou que o governo federal estará aberto a conversas com as lideranças do movimento para discussão em torno das principais reivindicações do ano de 2011 com destaque para o pedido de Salário Maternidade para as trabalhadoras rurais de seis meses, entre outros pedidos que foram feitos a Presidente. Segundo as participantes do município de Laranja da Terra a estimativa da Polícia Militar no evento é de que estavam presente na marcha que aconteceu nos dias 16 e 17 de agosto de 2011 cerca de aproximadamente 70.000 mulheres. Ressaltamos que na verdade a mobilização pela participação na Marcha das Margaridas em Laranja da Terra começou desde o mês de março de 2011, com o lançamento do evento através de programação que foi realizada inclusive com homenagem feitas as mulheres por ocasião do Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 08 de março. Finalmente a Marcha das Margaridas é um movimento basicamente formado por mulheres (durante o evento os homens são denominados de cravos) e que tem por objetivo a luta para garantir os direitos dos trabalhadores rurais e em especial a mulher e que durante todo esse tempo que já foi formado já rendeu grandes conquistas para as mulheres brasileiras. Laranja da Terra, Afonso Cláudio e Brejetuba, através de suas representantes também se fez presente na MARCHA DAS MARGARIDAS do ano de 2011, o que prova que também as nossas mulheres, da nossa região, da nossa cidade, estão comprometidas com a luta por igualdade, autonomia e liberdade e mais que isso, são fomentadoras de mudanças e conquistas para todos nós.
Uma homenagem do Grupo 03 as 70 mil mulheres participantes da Marcha das Margaridas de 2011 e em especial as representantes dos municípios de Laranja da Terra, Afonso Cláudio e Brejetuba.
Fonte: Elaborado pelo autor.



Folder da Campanha de Lançamento a nível Municipal
Fonte: Arquivo fotográfico do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Afonso Cláudio, Laranja da Terra e Brejetuba ( Filiado a FETAES).


Saída da Delegação que engloba os municípios de Laranja da Terra, Afonso Cláudio e Brejetuba

Fonte: Arquivo fotográfico do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Afonso Cláudio, Laranja da Terra e Brejetuba ( Filiado a FETAES).


Concentração para o início da Marcha – 2011 razões para marchar por Liberdade

Fonte: Arquivo fotográfico do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Afonso Cláudio, Laranja da Terra e Brejetuba ( Filiado a FETAES).

Marcha das Margaridas 2011 – Mulheres unidas por uma sociedade mais justa. O ideal de Margarida Maria Alves vivo em mais de 70 mil mulheres.

Fonte: Arquivo fotográfico do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Afonso Cláudio, Laranja da Terra e Brejetuba ( Filiado a FETAES).


Mulheres em marcha por Igualdade, Justiça, Autonomia e Liberdade

Fonte: Arquivo fotográfico do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Afonso Cláudio, Laranja da Terra e Brejetuba ( Filiado a FETAES).

Vista geral da Marcha das Margaridas ocorrida nos dias 16 e 17 de agosto de 2011.

Fonte: Arquivo fotográfico do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Afonso Cláudio, Laranja da Terra e Brejetuba ( Filiado a FETAES).


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

PARA REFLETIR

"Quando permitimos que se pratique qualquer forma de agressão contra qualquer ser humano, principalmente com manifestações racistas, preconceituosas e discriminatórias, estamos permitindo que nós mesmos sejamos agredidos, porque se um ser humano é agredido de qualquer forma injustamente, toda a humanidade acaba sendo agredida com ele"
(José Renato Coan - 08/09/2011)

TESTE DO SOFÁ - FORMA VELADA DE AGRESSÃO A MULHER

Estamos lançando uma nova reflexão no Blog
O conhecido "teste do sofá" a que muitas mulheres são submetidas para ingressarem em seus empregos não é uma forma mascarada de violência contra a mulher?
Vista como natural por algumas pessoas, essa prática violenta seriamente o que a mulher tem de mais importante em sua vida: sua dignidade e sua honra
Portanto estamos lançando a reflexão, para que o "teste do sofá" deixe de ser visto como "coisa natural" e passe a ser tratado como uma forma de também se agredir as mulheres.
Fica aí o Recado

Grupo 03 - Afonso Cláudio

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Campanha Ponto Final na Violência contra Mulheres e Meninas

Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=Elk2O_hTzRU acesso em 11/08/2011.


(...) a Ponto Final é uma campanha regional que busca mudar as atitudes e crenças sociais relacionadas à discriminação, desigualdade e iniqüidade de gênero que sustentam e promovem a violência contra as mulheres. Tem um caráter inovador por estimular o debate, a reflexão e a participação direta das comunidades buscando mudanças de atitudes e de padrões culturais. Outro diferencial, é que esta campanha trabalha com o enfoque da prevenção primária, isto é, busca antecipar e intervir com estratégias para proteção das mulheres, antes que o fenômeno da violência ocorra, e não apenas estimulando a punição dos agressores.
A Ponto Final, busca compreender como a violência ocorre e os enormes danos que ela produz e com isto procurar formas de convivências baseadas no respeito e não em agressões. A Campanha Ponto Final tem como meta eliminar a aceitação social de todas as formas de violência contra as mulheres e meninas. Desenvolvendo ações para criar uma mobilização social de longo prazo, direcionada à erradicação da violência(...)
Disponível em: http://www.campanhapontofinal.com.br/ acesso em 11/08/2011.
Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=KuQczIkF9LM acesso em 11/08/2011.
(...) esta Campanha se baseia em fundamentos éticos acordados internacionalmente acerca da responsabilidade com as mulheres em situação de violência, de forma a jamais expor suas vidas em risco, trabalhar em rede e incluir lideranças já existentes nas comunidades. É uma ação complementar a todos os esforços já existentes, governamentais e não- governamentais cujo foco é o enfrentamento da violência contra as mulheres, bem como o compartilhamento de estratégias com redes e articulações, organizações de diferentes ordenamentos jurídicos, pessoas e profissionais de um modo geral(...)
Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=oa8gAX-ZaZg acesso em: 11/08/2011.
(...) a Coordenação Executiva da Campanha Ponto Final propõe as seguintes estratégias e mensagens a serem veiculadas e implementadas pela Campanha em todo o território nacional:
  • Fomentar estratégias que questionem a naturalização da violência contra as mulheres.
  • Inclusão do enfoque de gênero, raça e classe social nas discussões a cerca da violência contra as mulheres e meninas.
  • Veiculação de mensagens com uma proposta política de transformação, sem que estas apresentem as mulheres somente como vítimas.
  • Inserção dos homens na Campanha não como aliados, mas sim como iguais e fazer pactos políticos com os homens.
  • Inclusão de todas as formas de violência contra as mulheres.
  • Enfoque nas relações de gênero, reafirmando que a violência contra as mulheres é baseada no fato de que somos mulheres.
  • Abordagem das causas estruturais da violência contra as mulheres, que é parte da construção social de ser homens e mulheres.
  • Questionamento das estruturas que sustentam a violência contra as mulheres, como o sistema político vulnerabiliza os direitos das mulheres.
  • Incorporação de agentes das áreas da segurança pública, educação, saúde, cultura e de outros setores públicos para ampliar a discussão em torno desta temática.
  • Incorporação dos elementos locais/especificidades da violência contra as mulheres.
  • Inclusão da questão das liberdades laicas no debate sobre a violência contra as mulheres e meninas.
Disponível em: http://www.campanhapontofinal.com.br/campanha.php acesso em 11/08/2011


Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=8A0PJ6raDF4 acesso em 11/08/2011

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Feminilização da Pobreza


(...)a Desigualdade de Gênero no Brasil é retratada pelo quadro de pobreza, desvalorização do trabalho e violência a que estão submetidas milhões de mulheres em todo país. A discriminação de gênero, além de acentuar a pobreza, contribui significativamente para desvalorizar o papel da mulher em nossa sociedade.

Dados da PNAD – Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios de 2001 –mostram que a taxa de desemprego das mulheres é cerca de 58% maior que a dos homens, e que os rendimentos médios são 21% inferiores por horas trabalhadas. O mais curioso é que entre os indivíduos que têm mais de 15 anos de estudos, as mulheres recebem 39% a menos. Comprovando de forma contundente que a discriminação é uma questão que está além das classes sociais e grau de escolaridade.

Disponível em:http://www.google.com.br/imgres?q=programas+contra+a+discrimina%C3%A7%C3%A3o+feminina&hl=pt-BR&sa=X&qscrl=1&nord=1&rlz=1T4ADRA_pt-BRBR413BR413&tbm=isch&prmd=ivns&tbnid=uuSguGZ2mUXkbM:&imgrefurl=
=1&tbnh=149&tbnw=143&start=0&ndsp=17&ved=1t:429,r:1,s:0&tx=10&ty=80&biw=1280&bih=650 acesso em:11/08/2011.


Evidentemente que o quadro de discriminação é muito mais dramático nas classes populares, principalmente as mais excluídas, as que estão na chamada linha de pobreza ou abaixo dela. O caso das mulheres negras brasileiras ilustra bem esse cenário; elas recebem 61% a menos que os homens brancos.

Ainda segundo a PNAD, em 1992, o número de lares chefiados por mulheres era de 19,3%. Desse período até 2002 aumentou para 32% o que corresponde a um terço de lares em todo o país. As pesquisas apontam ainda que 90% dessas mulheres são as únicas provedoras dos seus lares. Esse cenário cria um ambiente propício ao estímulo tanto da precarização do trabalho entre as pessoas maiores de 18 anos que residem nesses lares, como estimula o trabalho infantil no seio dessas famílias.

Os dados comprovam que a inserção desigual no mundo do trabalho torna as mulheres as mais pobres entre os pobres, apesar das mulheres representarem 42,7% da população economicamente ativa, segundo a PNAD/IBGE 2003.

(...)

Além de receberem bem menos que os homens ao realizarem o mesmo tipo de trabalho, as mulheres que trabalham fora continuam a ser as principais responsáveis pela administração da casa e o cuidado com os filhos. A dupla jornada ainda é uma realidade no cenário doméstico para a maioria das brasileiras.

Com relação à fecundidade, segundo o IBGE, em 1940 a taxa era de 6,2 filhos, e, em 2002, caiu para 2,4 filhos. Entretanto, se houve uma queda na fecundidade de mulheres adultas, o mesmo não se pode dizer com relação às adolescentes.

Em 1996, a Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde mostrou que 14% de adolescentes entre 15 e 19 anos já tinham um filho ou estavam grávidas.

Podemos citar alguns fatores que contribuem para esse quadro como: a mulher ainda é vista como mãe; a sua identidade ainda é muito calcada nisso, e também a gravidez na adolescência tem se apresentado com significado de mudança de status perante a comunidade; como adolescente, ela não é nada, mas como mãe ganha a importância de outro papel; o falso moralismo que ainda povoa o imaginário da sociedade brasileira, que não admite que o processo de liberação sexual, iniciada nos anos 50, não tem mais volta. Com isso, a maioria das famílias e escolas não conseguem facilitar a educação sexual das crianças e jovens, criando, assim, um ambiente propício para que os jovens façam sexo como quem faz contravenção, abrindo dessa forma caminho não só para a gravidez como também para doenças sexualmente transmissíveis.

Para finalizar essa breve caracterização da situação da mulher brasileira, é importante não deixar de mencionar as questões relacionadas à violência. Ela se dá através de agressões físicas como espancamentos, tapas, chutes, queimaduras; assédio sexual e estupro; violências psicológicas como humilhações, privação de liberdade, que vêm principalmente da parte do companheiro.

No final da década de 80, o IBGE constatou que 63% das vítimas de agressões físicas ocorridas no espaço doméstico eram mulheres.

Em 1992, foram registradas mais de 205 mil agressões contra mulheres nas Delegacias de Defesa da Mulher de todo o país (fonte: Barsted, 1998). Um estudo da Fapesp de 1999, tentando traçar os perfis da mulher agredida e do casal em situação de violência, relata que metade das mulheres tinha entre 30 e 40 anos e 30%, entre 20 e 30 anos; em 50% dos casos, o casal tinha entre 10 e 20 anos de convivência, e, em 40%, entre 1 e 10 anos.

É interessante notar que o grau de escolaridade não tem relação direta com o uso da violência: 78,6% das pessoas (homens e mulheres) que se disseram vítimas de violência conjugal (física ou emocional) tinham o 2º grau completo ou mais; 65% tinham pelo menos o 3º grau incompleto, e 45,7% tinham o 3º grau ou pós-graduação. Fonte: FIBGE/Subsecretaria de Pesquisa e Cidadania, 1999.

Outro aspecto dramático da violência contra as mulheres diz a respeito à violência sexual, sobretudo contra meninas. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, em 1995 foram contabilizados 1,5 estupro diário de meninas.

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) do Distrito Federal registrou, em média, 60 casos de violência sexual por mês, no período entre 1996 e 1999.