“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”(Nelson Mandela)


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Entrevista da jornalista brasileira Carla Rodríguez com  a filósofa espanhola Alicia Puleo .
Publicado em 13 de março de 2003/Acesso em 02/04/2012.

Se hoje é considerado natural que as mulheres estudem, trabalhem e sejam donas das suas próprias vidas, princípios que estão presentes mesmo em famílias conservadoras, é por que o feminismo produziu, ao longo dos últimos 40 anos, uma revolução silenciosa e pacífica, capaz de mudar o padrão de comportamento de homens e mulheres nas sociedades ocidentais. Conceder este mérito ao feminismo é a única maneira de garantir que novas conquistas sejam realizadas. É com este o argumento que a filósofa espanhola Alicia Puleo defendeu, na sua passagem pelo Brasil, na semana passada, a valorização do feminismo como forma de melhorar a sociedade como um todo, e não apenas como instrumento de fazer justiça às mulheres. Alicia participou de um ciclo de conferências promovido pela Cordenadoria Especial da Mulher da Prefeitura de São Paulo, onde defendeu a aproximação entre ecologistas e feministas. Nesta entrevista, ela mostra por que as teorias que explicam as diferenças entre homens e mulheres apenas através da biologia são conservadoras e avisa: “Ouvir a voz das mulheres é importante para melhorar toda a sociedade”.


Por que as teorias naturalistas são contra a emancipação das mulheres?
Tradicionalmente, em nome da natureza, se tem justificado a divisão sexual do trabalho que prendia as mulheres nas tarefas de reprodução da espécie e com os cuidados do lar, e dava aos homens amplas possibilidades de ação no trabalho assalariado e na criação cultural. Mesmo que pareça mentira, ainda hoje se procuram legitimações biológicas de muitas diferenças sociais de gênero.

Como assim?
Quando as pesquisas encontram indícios de alguma diferença de aptidão ou de comportamento produzidas, por exemplo, pelos hormônios, são rapidamente comunicados à imprensa. Mas quando não aparecem diferenças e a hipótese naturalista de partida não é comprovada, então não se diz nada, dando a impressão de que predominam os estudos que conseguem provar estas diferenças. Na realidade, é ao contrário. Acredito que não devemos esquecer que tanto homens como mulheres são corpos, são natureza. Com isso quero dizer que não devemos temer as pesquisas, apenas as pesquisas parciais. Este é geralmente o problema das teorias de corte naturalista: esquecer o aspecto cultural, construído, que modela a base biológica. Ao deixar de lado este aspecto, o que é produto das relações de poder históricas se converte em traço natural e destino biológico. Desta forma, a teoria naturalista funciona como um discurso ideológico de legitimação do sistema sexo-gênero.



A sra. acredita que os avanços do feminismo dependem da valorização do passado do movimento?
Com o feminismo acontece algo muito curioso: não se reconhece seus méritos. Nos últimos 40 anos, mudamos a organização dos sexos nas sociedades ocidentais com uma revolução pacífica e silenciosa. Mas todas estas mudanças nas relações entre os sexos foram apenas parte da evolução da própria sociedade, sem que tenha havido necessidade de nenhuma reivindicação. O que propunha Betty Friedman na metade dos anos sessenta – que as mulheres poderiam compatibilizar uma vida familiar com uma atividade no mundo do trabalho assalariado, com a cultura e com a política – hoje em dia é assumido como normal inclusive nas famílias mais conservadoras, que fazem suas filhas estudarem pensando que, além de casar, exercerão uma profissão. O que era escandaloso já parece normal.



Isso quer dizer que o feminismo perdeu sua razão de existir?
Mas não conseguimos tudo. Esquecer que foi o feminismo que conseguiu todas estas mudanças faz parte de uma negação da necessidade de mudar outros aspectos que estão pendentes. Por isso é importante conhecer a história do movimento. Quem não conhece sua história, adquire consciência com maior dificuldade. Uma vez, uma professora de uma universidade me disse: “Não devo nada ao feminismo”. Contestei: “Sua primeira dívida é ter estudado e poder trabalhar aqui. Antes, isso não era permitido.” As mulheres que negam e renegam o feminismo estão negando sua própria história, sua própria identidade e nosso futuro em comum.



Por que hoje os problemas das mulheres são também problemas sociais?
Os problemas das mulheres são de várias ordens: de acesso aos recursos, que em cifras globais mundiais se dá de forma absolutamente inferior aos homens, de reconhecimento, por que a cultura ainda tem um traço masculino muito profundo, de violência de gênero, porque o número de mulheres vítimas de violência e assassinadas é enorme em todo o mundo, ainda que seja pior em países com problemas econômicos, de representação política. Todos estes problemas estão ligados uns aos outros por laços e por causas bidirecionais. Em uma palavra, se retro-alimentam. Quanto maior dificuldade de alcançar um salário digno, mais as mulheres terão que suportar a violência de gênero e menos poderão ter tempo de corrigir e transformar a cultura. Por sua vez, se a cultura seguir repetindo os mesmos tópicos patriarcais, mais dificuldade teremos para fazer com que diminua a violência de gênero, para aumentar nosso reconhecimento social, para alcançar postos de decisão política e conseguir trabalho com salários dignos. A situação das mulheres, que são a metade da humanidade, é uma questão de justiça social que se justifica por si só. Se a isso acrescentarmos que a inclusão da voz das mulheres pode melhorar a sociedade em seu conjunto, teremos uma razão a mais para apoiar velhos e novos pontos de nossa agenda.



Extraída do sítio www.fyl.uva.es/~wceg/Ouçam%20a%20voz%20das%20mulheres.doc, acesso em 01/04/2012.
Postado por: Anair Gomes Rocha, Vandeti Krauser, Andreza da Penha dos Reis, Stephanie Maier Ahnert, José Renato Coan

10 abusos sofridos pela mulher

 Acesso em 30 de março de 2012.

Esta lista mostra que, apesar das conquistas da mulher no decorrer da História, muitos ainda são os abusos que devem ser conhecidos e discutidos, para que sejam tomadas medidas que levem à sua extinção, para sempre. Esta lista foi  extraída e adaptada do Listverse e contém imagens fortes. Portanto, tenha cautela!

 

1- Vestimentas obrigatórias

Mulheres usando burca preta


Em 2001, um grupo militante chamado Lashkar-e-Jabar exigiu que as mulheres muçulmanas da Caxemira usassem burcas – vestimenta que as cobre dos pés à cabeça -, sob o risco de serem atacadas. Os homens jogaram ácido no rosto de duas mulheres que não se cobriram em público. O grupo também exigiu que as mulheres hindu e sikh adotassem vestimentas obrigatórias: defendiam que as mulheres hindu deveriam usar o bindi – tradicional ponto colorido – na testa, e as mulheres sikh deveriam cobrir suas cabeças com um pano cor de açafrão.

 

2- Infanticídio feminino

Bebê indiano no colo da mãe
Fonte disponível em: http://www.historiadigital.org/curiosidades/10-abusos-sofridos-pela-mulher-ao-redor-do-mundo/, acesso em 30/02/2012.

 
A política do filho único, na China, fez aumentar o desdém por crianças do sexo feminino:
aborto, negligência, abandono e infanticídio (assassinato de crianças) são alguns crimes que atingem estas crianças. O resultado deste planejamento familiar foi uma média de 114 homens para cada 100 mulheres, entre crianças de 0 (recém-nascidas) a 4 anos de idade. Normalmente, a taxa é de 105 homens para cada 100 mulheres. Da mesma forma, o número de meninas que nascem e sobrevivem na Índia é significativamente menor se comparado com o número de meninos.

 

3- Perseguição sexual

Sombra de mulher chorando

Muitos países criminalizam o sexo antes do casamento. No Marrocos, as penas para violação do código penal, no que tange a esta questão, incorrem bem mais em mulheres do que em homens. Mulheres solteiras grávidas, em particular, sofrem com a perseguição sexual. O código penal marroquino também considera o estupro de uma virgem como uma circunstância agravante de agressão. A mensagem é clara: o grau de punição do agressor é determinada pela experiência sexual da vítima.

 

4- Sequestro de noivas

Sequestro de noiva no Quirguistão

O sequestro de noivas é uma prática comum no Quirguistão e Turcomenistão. Quando é hora de se casar no Quirguistão, o homem ou sua família escolhem uma mulher, que será sequestrada. O noivo, seus parentes e amigos a levam para a casa da família, onde as mulheres mais velhas tentam convencer a mulher sequestrada a aceitar o casamento. Algumas famílias mantém a mulher refém durante vários dias para fazê-la ceder. Na Etiópia e Ruanda, o processo tem requintes de brutalidade, pois o homem, além de sequestrar a mulher, também a estupra.

 

5- Morte por honra

Mulher sendo enterrada viva

Morte por honra é uma forma de punição cometida contra uma mulher que se julga ter desonrado os membros de sua família. Geralmente, as vítimas são mulheres que: recusam um casamento arranjado; são vítimas de um abuso sexual; buscam o divórcio; cometem adultério; ou praticam sexo fora do casamento. A UNICEF relatou que, na Índia, mais de 5000 noivas são mortas anualmente porque seus dotes de casamento são considerados insuficientes.

 

6- Queimadura

Queimadura no corpo de uma mulher

Queimadura é uma forma de violência doméstica praticada em partes da Índia, Paquistão, Bangladesh e outros países localizados no ou ao redor do subcontinente indiano. O ato é praticado da seguinte maneira: um homem, ou sua família, jogam querosene, gasolina ou outros líquidos inflamáveis na esposa. Depois, ateiam fogo, levando a mulher à morte ou lesões permanentes.

 

7- Ataques com ácido

Ataque com ácido em corpo de mulher

Ataques ácidos são uma forma de violência que ocorrem principalmente no Afeganistão. Perpetradores desses ataques jogam ácido em suas vítimas (normalmente em seus rostos), queimando-as. As conseqüências incluem cicatrizes permanentes no rosto e no corpo, assim como cegueira.

 

8- Mutilação genital feminina

Mulher sofrendo mutilação genital

A mutilação genital feminina se refere a todos os procedimentos de remoção parcial ou total dos órgãos genitais femininos externos, assim como outras formas de lesão, quer por razões culturais, religiosas, ou mesmo por razões terapêuticas. Estas formas de mutilação aparecem no mundo todo, mas são mais comuns em regiões da África. Geralmente, ocorre entre os 4 e 8 anos de idade, mas pode ocorrer em qualquer idade desde a infância até a adolescência. O procedimento, quando realizado sem anestesia, pode levar à morte por choque, devido à imensa dor, ou por sangramento excessivo.

 

9- Tráfico de mulheres

Mulheres vítimas de tráfico de mulheres

Desde a queda da cortina de ferro, os países pobres do antigo bloco oriental, como a Albânia, Moldávia, Roménia, Bulgária, Belarus e Ucrânia têm sido identificados como principal origem do tráfico de mulheres e crianças. As meninas são freqüentemente atraídas para os países ricos pela promessa de dinheiro e trabalho e, em seguida, reduzidas à escravidão sexual. Estima-se que 2/3 das mulheres traficadas para prostituição, anualmente, vêm da Europa Oriental, sendo que 3/4 delas nunca trabalhou como prostituta antes.

 

10- Servidão ritual

Mulheres sofrendo servidão ritual

Em algumas partes de Gana, uma família pode ser punida por um delito tendo que entregar uma mulher virgem para servir como escrava sexual dentro da família ofendida. Neste sistema de escravidão, sob forma de servidão ritual, meninas virgens são dadas como escravas em templos tradicionais e usadas sexualmente por sacerdotes.


Postado por: Andreza da Penha dos Reis/José Renato Coan/Anair Gomes Rocha/Vandeti Krauser/Stephanie Maier Ahnert/Maria de Lourdes da Cunha Silva/Raulinda Kepp Ponath.

25 conquistas históricas das mulheres


Pintura da escritora feminista Mary Wollstonecraft
- 1788: O político e filósofo iluminista francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres;
- 1792: Na Inglaterra, Mary Wolstonecraft escreve um dos grandes clássicos da literatura feminista – A Reivindicação dos Direitos da Mulher – onde defendia uma educação para meninas que aproveitasse seu potencial humano.
- 1840: Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos, pouco antes de estourar a Guerra de Secessão.
- 1857: Nos Estados Unidos, mo dia 8 de março, em uma fábrica têxtil, em Nova Iorque, 129 operárias morrem queimadas numa ação policial porque reivindicaram a redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias e o direito à licença-maternidade. Mais tarde foi instituído o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, em homenagem a essas mulheres.
- 1859: Surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
- 1862: Durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.
- 1865: Na Alemanha, Louise Otto cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.
- 1866: No Reino Unido, em plena Revolução Industrial, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas.
- 1869: É criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres.
Foto de Fanny Blankers-Koen, que conquistou 4 medalhas de ouro em Olimpíada
Fonte disponível em: http://historiadigital.org/curiosidades/50-conquistas-historicas-das-mulheres-no-brasil-e-no-mundo/, acesso em 30/03/2012.
- 1893: Na Nova Zelândia, pela primeira vez no mundo, as mulheres têm direito ao voto.
- 1870: Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.
- 1874: Criada no Japão a primeira escola normal para moças.
- 1878: Criada na Rússia uma Universidade Feminina.
- 1901: O deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres.
- 1923: No Japão, as atletas femininas ganham o direito de participarem das academias de artes marciais.
- 1945: Após a Segunda Guerra Mundial, a igualdade de direitos entre homens e mulheres é reconhecida em documento internacional, através da Carta das Nações Unidas.
- 1948: A holandesa Fanny Blankers-Koen, 30 anos, mãe de duas crianças, foi a grande heroína individual da Olimpíada, superando todos os homens ao conquistar quatro medalhas de ouro no atletismo.
- 1949: São criados os Jogos da Primavera, ou ainda “Olimpíadas Femininas”. No mesmo ano, a francesa Simone de Beauvoir publica o livro “O Segundo Sexo”, no qual analisa a condição feminina.
- 1951: Aprovada pela Organização Internacional do Trabalho a igualdade de remuneração entre trabalho masculino e feminino para função igual.
Foto da primeira ministra alemã, Angela Merkel
Fonte disponível em: http://historiadigital.org/curiosidades/50-conquistas-historicas-das-mulheres-no-brasil-e-no-mundo/, acesso em 30/03/2012.
 - 1974: Na Argentina, Isabel Perón torna-se a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente.
- 1975: Na Argentina, comemora-se o Ano Internacional da Mulher. A ONU promove a I Conferência Mundial sobre a Mulher, na Cidade do México. Na ocasião, é criado um Plano de Ação.
- 1983: Nos Estados Unidos, Sally Ride é a primeira mulher astronauta. Voou na nave espacial Challenger.
- 1985: No dia 29 de agosto, foi criado o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) com a finalidade de promover em âmbito nacional, políticas que visem a eliminar a discriminação da mulher, assegurando-lhe condições de liberdade e de igualdade de direitos, bem como sua plena participação nas atividades políticas, econômicas e culturais do País.
- 2001: Na Alemanha, Jutta Kleinschmidt é a primeira mulher a vencer o Rali Paris-Dakar, na categoria carros. Considerada a prova mais difícil do planeta – seu desafio é atravessar o deserto – Kleinschmidt, com essa vitória, faz jus à força feminina, presente em todas as atividades do mundo atual. Em 23 anos de disputa, jamais uma mulher havia ganhado nessa competição.
- 2005: Na Alemanha, Angela Merkel foi eleita a nova chanceler alemã, a primeira mulher a ocupar o cargo na história do país. Ela foi aprovada para o cargo pelo Parlamento alemão, e teve 397 votos a favor, contra 202 contra. Houve 12 abstenções.

Fonte disponível em: http://historiadigital.org/curiosidades/50-conquistas-historicas-das-mulheres-no-brasil-e-no-mundo/, acesso em 30/03/2012.


Postado por: Anair Gomes Rocha/Vandeti Krauser/Andreza da Penha dos Reis

domingo, 1 de abril de 2012

A equidade na saúde tem que ser pra valer! O Racismo como Determinante Social de Saúde

Fonte: http://revistaafricas.com.br/archives/34523, acesso em 01/04/2012.


[...] Inúmeras pesquisas têm comprovado reiteradamente que as condições sociais influenciam decisivamente a saúde e que, portanto, é preciso implementar ações em todos os setores para a promoção do bem-estar. A maior parte da carga das doenças - assim como as desigualdades de saúde que existem em todos os países -, acontece por conta das condições em que as pessoas nascem, vivem, trabalham e envelhecem - o que se denomina "determinantes sociais da saúde", os DSS's. Muitos fatores sociais influenciam a saúde das pessoas e os mais importantes são aqueles que geram estratificação social - os determinantes "estruturais" -, tais como a distribuição de renda, o sexismo e o racismo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a exclusão social por pertencimento a um grupo étnico como um determinante social da saúde.
[...] É justamente nas áreas clínicas, nas quais a pessoa está sujeita à avaliação subjetiva do profissional de saúde, que se verificam as mais elevadas taxas de mortalidade para a população negra como um todo e, em especial, para as mulheres negras que, além das condições desfavoráveis de vida ainda sofrem com a superposição do sexismo ao racismo.
É justamente nas áreas clínicas, nas quais a pessoa está sujeita à avaliação subjetiva do profissional de saúde, que se verificam as mais elevadas taxas de mortalidade para a população negra como um todo e, em especial, para as mulheres negras que, além das condições desfavoráveis de vida ainda sofrem com a superposição do sexismo ao racismo.

A atuação do governo brasileiro


A principal estratégia para a mudança e melhoria do contexto é colocar o racismo institucional na agenda, identificando-o como uma força que se conjuga com os demais DSS. As ações a serem realizadas são a medição e o monitoramento regular, em base anual, por exemplo, das iniquidades e disparidades em saúde por cor/raça.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu a Comissão Global sobre Determinantes Sociais da Saúde em 2005, para que a aconselhasse sobre como reduzir desigualdades de saúde. O relatório final da Comissão (2008), contém três recomendações gerais: melhorar as condições de vida no dia a dia; combater o problema da distribuição desigual de poder, dinheiro e recursos; mensurar e compreender melhor as desigualdades de saúde. Este relatório enfatizou, ainda, a importância da ação sobre os determinantes sociais para reduzir as iniquidades em saúde. Também destacou a importância de construir um movimento global para diminuir as desigualdades em saúde, tanto entre países como em seu interior no curso de uma geração.
Os Estados-Membros da OMS discutiram o relatório e, na Assembleia Mundial da Saúde de 2009, aprovaram uma resolução demandando ações sobre os determinantes sociais da saúde. A resolução falava fortemente a favor não só da "Saúde em Todas as Políticas" e de um compromisso renovado com as ações intersetoriais para reduzir as desigualdades de saúde, como também da implementação de uma abordagem ligada aos determinantes sociais em programas de saúde pública e do aumento da capacidade de mensuração das desigualdades de saúde e de monitoramento do impacto de políticas ligadas aos primeiros. A resolução também pedia ao Diretor-Geral da OMS, que "organizasse um evento global antes de 2012, no qual seriam discutidos novos planos destinados a reduzir as tendências alarmantes relacionadas às desigualdades de saúde através de ações sobre os determinantes sociais de saúde".
Fonte: http://revistaafricas.com.br/archives/34195, acesso em 01/04/2012.

O governo do Brasil sediou a Conferência Mundial sobre Determinantes Sociais da Saúde, quando reuniram-se líderes globais para discutir como colocar em prática as recomendações da Comissão.
Os cinco temas da Conferência Mundial foram selecionados para destacar aspectos-chave indispensáveis à implementação bem-sucedida da abordagem dos determinantes sociais:
1. Governança para enfrentamento das causas mais profundas das desigualdades em saúde: implementando ações sobre os determinantes sociais da saúde.
2. Promovendo participação: lideranças comunitárias para a ação sobre os determinantes sociais.
3. O papel do setor, incluindo os programas de saúde pública, na redução das desigualdades de saúde.
4. Ações globais sobre os determinantes sociais: alinhando prioridades e grupos de interesse.
5. Monitorando o progresso: medir e analisar para informar as políticas sobre determinantes sociais. [...]
Fonte: Disponível em: http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/saude/220-artigos-de-saude/11532-a-equidade-na-saude-tem-que-ser-pra-valer-o-racismo-como-determinante-social-de-saude, acesso em 01/04/2012.


Postado por: Stephanie Maier Ahnert /Anair Gomes Rocha/Raulinda Keppe Ponath

domingo, 25 de março de 2012

Doença Falciforme - Programa Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme


É uma das doenças hereditárias mais comuns no Brasil. É causada por uma modificação no gene (DNA) que, em vez de produzir a hemoglobina A, de adulto, produz em seu lugar outra hemoglobina diferente chamada S. [...]
Se uma pessoa recebe um gene do pai e outro da mãe para produzir a hemoglobina S ela nasce com um par de genes SS e assim terá a Anemia Falciforme, sendo por isso uma doença genética e hereditária. Se receber de um dos pais o gene para hemoglobina S e do outro o gene para hemoglobina A ela não terá doença e sim o Traço Falciforme (AS), portanto não precisa de tratamento especializado, mas deve saber que se tiver filhos/filhas com outra pessoa que também herdou o traço, poderá ter uma criança com Anemia Falciforme.
O gene que produz a hemoglobina S pode combinar-se com outras alterações hereditárias das hemoglobinas como C, D, E, Beta e Alfa Talassemias, dentre outras, gerando combinações que se apresentam com os mesmos sinais e sintomas da combinação SS e são tratadas da mesma forma. O conjunto de combinações SS, SC, SD, SE, S/Beta Talassemia, S/Alfa Talassemia denomina-se DOENÇA FALCIFORME.
A hemoglobina S faz com que as hemácias adquiram a forma de foice (falcizadas) em ambiente de baixa oxigenação, não exercendo a função de oxigenar o corpo de modo satisfatório. As hemácias falcizadas têm dificuldades de circularem na corrente sangüínea e podem provocar obstrução vascular. Como conseqüência, as pessoas com essa doença apresentam dores intensas, isquemia, necrose, disfunção e danos irreversíveis a tecidos e órgãos, além de uma anemia crônica.
Dados do Programa Nacional de Triagem Neonatal mostram que no Estado da Bahia a incidência da Doença Falciforme é de 1:650, enquanto a do Traço Falciforme é de 1:17, entre os nascidos vivos. No Rio de Janeiro 1:1200 para a doença e 1:21 de traço. Em Minas Gerais é na proporção de 1:1400 com a doença e de 1:23 com Traço Falciforme.
Com base nesses dados calcula-se que nasçam, por ano, no país cerca de 3.500 crianças com Doença Falciforme e 200.000 portadores de Traço. Tal cenário permite tratar dessa doença como problema de saúde pública.
Todas as pessoas diagnosticadas com Doença Falciforme devem ser matriculadas num programa de atenção integral e serem tratadas de acordo com os protocolos do Ministério da Saúde. Na maioria dos estados os Hemocentros são os Centros de Referência para assistência às Pessoas com Doença Falciforme. Enquanto àquelas diagnosticadas com TRAÇO devem ter direito a orientação e informação genética, conforme preconizado no protocolo de Orientação e Informação Genética em Doença Falciforme do Ministério da Saúde.
A Portaria Nº 1.391, de 16 de agosto de 2005, institui no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, as diretrizes para a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias, cujo objetivo é mudar a história natural desta doença no Brasil reduzindo a morbimortalidade e trazendo qualidade de vida com longevidade a todas essas pessoas.

A DOENÇA FALCIFORME NO BRASIL 
Há mais de 30 anos os segmentos sociais organizados de homens e mulheres negras no Brasil vêm reivindicando o diagnóstico precoce e um programa de atenção integral às pessoas com Doença Falciforme.
O primeiro passo rumo à construção de tal programa foi dado com institucionalização da Triagem Neonatal no Sistema Único de Saúde do Brasil (SUS), por meio de Portaria do Ministério da Saúde de 15 de janeiro de 1992, com testes para fenilcetonúria e hipotireoidismo congênito (Fase I). Mais tarde, em 2001, mediante a Portaria nº 822, foi criado o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), incluindo a triagem para as hemoglobinopatias (Fase II). Alguns estados já incluíram a Fase III (fibrose cística) e o diagnóstico precoce da toxoplasmose congênita.
Configurando uma fase de consolidação da iniciativa, em 16 de agosto de 2005, foi publicada a Portaria de nº 1391 que institui no âmbito do Sistema Único de Saúde as Diretrizes para a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias.
A integralidade na atenção caracteriza-se por um sistema “sem muros” que elimina as barreiras de acesso entre os diversos níveis de atenção, em respostas às necessidades de saúde nos âmbitos local e regional, com participações preponderantes do usuário, que ocupa o centro da estrutura da linha de cuidado.
O Ministério da Saúde/Coordenação da Política Nacional de Sangue e Hemoderivados vêm trabalhando na regulamentação e na implantação das medidas estabelecidas pela Portaria 1391, bem como na organização da rede de assistência nos estados.
Os municípios de Salvador (Bahia), Recife (Pernambuco), São Paulo (SP) e Uberlândia (MG) já possuem programas de atenção integral às pessoas com DF e os estados do Rio de Janeiro e Goiás desenvolvem Políticas de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme. Em Minas Gerais, foi criado o Centro de Educação e Apoio às Pessoas com Hemoglobinopatias (CEHMOB) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais, com recursos do Ministério da Saúde.




PERFIL DEMOGRÁFICO DA DOENÇA FALCIFORME
• Número de pacientes: conforme dados do PNTN, nascem no Brasil cerca de 3.500 crianças/ano com a doença ou 1/1.000 nascidos vivos e 200.000 ou 1/35 com Traço Falciforme. Esses números se configuram como uma questão de Saúde pública.
• Distribuição: a Doença Falciforme está dispersa na população de forma heterogênea, com prevalência mais alta nos estados com maior concentração de afro descendentes.
• Recorte social: concentrada entre os mais pobres.
• Taxa de mortalidade: 25% das crianças não alcançam 5 anos de vida se não tiverem acompanhamento médico adequado.
• Mortalidade perinatal: de 20 a 50%.





Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=4k92ZXDUsxg, acesso em 25/03/2012.


[...] PROGRAMA NACIONAL DE TRIAGEM NEONATAL
[...] Os programas populacionais de Doenças Falciformes só têm impactos sociais e éticos se incorporarem suas ações no diagnóstico precoce que otimiza a eficácia das ações preventivas e profiláticas na redução da morbimortalidade, por intermédio do acompanhamento realizado por equipe multiprofissional; em cuidados sociais que cada pessoa com a doença requer; acesso às informações/orientações genéticas aos familiares e acesso aos medicamentos essenciais. Os cuidados profiláticos representam a essência do tratamento até o quinto ano de vida, período de maior ocorrência de óbitos e complicações graves.
Conforme estimativa da Organização Mundial de Saúde, nascia no Brasil cerca de 2.500 crianças/ano com Doença Falciforme, no entanto, os dados do PNTN mostram uma incidência superior, ou seja, de 3.500/ano entre os nascidos vivos.
A taxa de mortalidade infantil nas crianças sem tratamento é de 25%, enquanto que entre as com atenção integral essa taxa diminui drasticamente, como no Rio de Janeiro que está em torno de 2,4% (dados do HEMORIO)
Dessa forma, a implantação da Política de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme, em cumprimento às diretrizes da Portaria nº 1391, reduziria drasticamente a morbimortalidade entre essas pessoas, promoveria a qualidade de vida e a longevidade e, modificaria completamente a história natural da Doença Falciforme e de outras Hemoglobinopatias em nosso país.
Fonte: Texto disponível em:  http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=27777&janela=1, acesso em: 25/03.2012.
 
Postado por: José Renato Coan/Stephanie Maier Anhert/Maria de Lourdes da Cunha Silva

quinta-feira, 8 de março de 2012

ONG Moradia e Cidadania - Ações e Projetos desenvolvidos no Espírito Santo

A ONG Moradia e Cidadania teve origem no Comitê da Ação da Cidadania dos Empregados da Caixa, formado em 1993. É responsável por iniciativas como: educação, geração de trabalho e renda e apoio às ações de combate à fome e à miséria para comunidades de baixa renda. Com a constatação de que o caráter depersonalidade jurídica ajudaria a levar os projetos adiante, permitindo a ampliação de suas atividades, o movimento acabou se transformando em uma Organização Não - Governamental ONG, com abrangência nacional.
Em setembro de 2000, a Moradia e Cidadania passou a ser uma ONG e em agosto de 2001, recebeu o Título de Utilidade Pública Federal, registrada no CNPJ nº01.285.730/0001-49, tornando-a apta a receber doações de qualquer natureza, principalmente de órgãos públicos.


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=AINSQj5K8xM, acesso em 08/03/2012

Oficina de Serigrafia inicia produção de xícaras decoradas
A Oficina de Serigrafia da Unidade de Internação Provisória I (Unip I) do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (IASES), localizada em Cariacica, iniciou uma nova etapa de produção. Os adolescentes que já aprenderam a estampar roupas, ecobags, mouse pads, canecas e azulejos decorativos, agora estão trabalhando com xícaras e canecas de porcelana.

   

Durante as aulas, os socioeducandos aprendem a técnica de estamparia, denominada sublimação, as formas de manusear o maquinário de serigrafia e também recebem instruções sobre empreendedorismo, vendas e mercado de trabalho.

De acordo com o professor de serigrafia da unidade, Luiz Carlos dos Santos, a atividade, além de terapêutica, produz artigos que possuem valor de mercado. “A oficina de serigrafia ensina um ofício que pode ser utilizado como fonte de renda, já que existe espaço no mercado para essas produções. Além disso, nós estamos recebendo a contrapartida dos adolescentes, que é o empenho e o interesse”,contou.

Os temas escolhidos para esta etapa da produção são os pontos turísticos de mais destaque do Espírito Santo como: o Convento da Penha, em Vila Velha, a Igreja e Residência dos Reis Magos, na Serra, o Parque Pedra da Cebola, em Vitória, a Praia da Costa, em Vila Velha, dentre outros.
A oficina de serigrafia é ministrada quatro vezes por semana no Espaço Pedagógico da Unidade, em Cariacica-Sede. As turmas são formadas por grupos de cinco adolescentes e contemplam todos os socioeducandos da Unidade, que ao final, recebem certificados de capacitação.

Além da capacitação, a oficina de serigrafia também ocorre de forma integrada com os projetos de escolarização de artes e geografia. “Além da técnica profissionalizante, a escolha em decorar as peças com temas culturais e turísticos, estimulam o aprendizado acerca da geografia, história, cultura e economia de nosso Estado”, disse a subgerente socioeducativa, Rosa Elizabeth Lessa Ribeiro. [...]
De acordo com a subgerente socioeducativa Rosa Elizabeth Lessa Ribeiro, as peças produzidas pelos adolescentes na Oficina de Serigrafia têm feito tanto sucesso, que está sendo ampliada e aberta para a participação de alguns familiares. “Identificamos inicialmente quatro famílias que trabalham com comércio que já estão participando das aulas em busca de consultoria, pois é uma técnica simples, mas muito interessante, que pode auxiliar na renda familiar do adolescente quando deixar a unidade e de sua família”, disse.
As peças confeccionadas pelos adolescentes já estão sendo encomendadas inclusive por servidores das Unidades do Iases. O valor arrecadado com as vendas é destinado para aquisição de materiais de trabalho para a oficina. A oficina conta também com a parceria da Organização Não Governamental (ONG) Moradia e Cidadania, fundada por funcionários da Caixa Econômica Federal. Os parceiros auxiliam na doação de equipamentos e materiais para a oficina como canecas, tintas, dentre outros.



Em 08 de outubro de 2001, foi qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP.
A Moradia e Cidadania possui uma Presidência Executiva, sediada em Brasília e representações em todos os Estados do território brasileiro. Atua sem distinção de credo, raça, sexo, idade, profissão ou ideologias políticas.
Postado por: Stephanie Maier Ahnert

Luta pela igualdade racial em Vitória

Fonte: Marcos Salles (http://www.vitoria.es.gov.br/semcid.php?pagina=acoesdepromocao), acesso em 08/03/2012


A Capital adota iniciativas que buscam contribuir para o enfrentamento do racismo, várias delas coordenadas pela Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos (Semcid). É o caso do Conselho Municipal do Negro (Conegro). Composto por representantes da sociedade civil e do poder públicas, esse conselho acompanha e avalia as políticas de promoção dos afro-brasileiros.
O Plano Municipal de Promoção da Igualdade Racial contempla as políticas voltadas aos segmentos historicamente discriminados, com prioridade para a população negra. As ações afirmativas são desenvolvidas políticas em conjunto com as secretarias municipais de Trabalho e Geração de Renda (Setger), de Educação (Seme), Saúde (Semus) e Assistência Social (Semas). O intuito é criar oportunidades de escolarização e profissionalização para a juventude negra em situação de vulnerabilidade social.
No caso da saúde, são buscadas ações que programem a política nacional de atenção à saúde da população negra, como a implantação do Programa Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme (a enfermidade teve origem na África e chegou a América com a imigração forçada de escravos).
Para monitorar as ações, a Semcid conta com o Comitê de Avaliação e Acompanhamento de Políticas Municipais de Promoção da Igualdade Racial.
A secretaria realiza ainda outras ações. A fim de desconstruir o racismo no âmbito institucional, são oferecidos cursos, seminários e oficinas aos funcionários da prefeitura. E, para combater a intolerância religiosa, foi criado os Diálogos Plurireligiosos, uma iniciativa articulada entre as religiões de vertente cristã e de matriz africana. O Movimento Negro, um segmento da sociedade civil, é parceiro nas atividades realizadas pela Semcid.




Postado por: Vandeti Krauser /José Renato Coan/Andreza da Penha dos Reis